sexta-feira, 31 de agosto de 2012

DIÁLOGOS DIÁRIOS DE SEGURANÇA

Chamado simplesmente de DDS, a rotina é parte integrante das diretrizes de acidente zero. Trata-se de uma breve reunião de dez minutos com a partipação dos colaboradores e antecipa as atividades da equipe daquele turno. Antes de dar início aos tão esperados diálogos, uma sessão de alongamento previne a inevitável sonolência. Para isso, foi contratada uma fisioterapeuta. Neste ponto, penso que a empresa poderia implantar um intensivo programa de exercícios físicos para reduzir IMC,  riscos de AVC, infarto, saliências grotescas, gordura mórbida, flacidez irreversível e muita pelanca extra. Aliada a uma dieta rigorosa, o fitness seria conduzido por instrutores do grupamento de fuzileiros navais e, faria parte de um pacote de benefícios corporativos. Na aula inaugural, uma série básica de 500 abdominais.  O impacto aeróbico se não aleijasse, afastaria qualquer pretensão de que, um dia,  o mundo venha a ser dominado por gente balofa. E, se ainda assim não obtiver resultado, só dando uma pá de paulada, caibro ou barra de ferro no corpo das repolhudas para  um realinhamento saudável.
Enquanto a novidade não chega, as esticadas fisioterápicas e inúteis prosseguem por apenas dois minutos. Logo após, comenta-se um pouco sobre segurança do trabalho e fala-se muito sobre metas de vendas. Uma cantilena. A conversa pode transitar entre os mais variados temas: campanhas, normas internas, trivialidades intrínsecas do comércio varejista  e masturbação.
Para finalizar a chatice, parecem buscar no fundo do baú das infantilidades aquela centelha de inspiração vital. Esfregam as mãos e as estendem para frente, braços esticados num mix meio abichonado de culto evangélico com "é o tchan" e gritam o mote oficial numa só voz: "você feliz é o nosso forte". 
Prefiro chamar tudo de PQP.

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